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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Aprenda alguma coisa sobre trabalhos de FICÇÃO, e depois reclame...



MAL HUMORADO COMO UM FILME DO SPIKE LEE

Esse é um post, escrito originalmente em INGRÊIS e que tentou ser postado nos fórums do IMDB - Internet Movie Database, referente ao filme "Milagre em Sta. Ana" (2008) do diretor Spike Lee.

Aqui vai minha re-tradução tosca da parada.


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Olá, caras!


Primeiro de tudo. Inglês não ser a minha língua mãe.


Eu sou apenas um reles jovem- italiano- caucasiano- professor-de-história vivendo no Brasil.


Não sou um especialista em Spike Lee, muito menos um fanboy, mas admiro o trabalho do diretor. E só pra constar, sim, eu curto Clint Eastwood e não consigo enxergar “Dirty Harry” em nenhuma instância como propaganda fascista.


Sobre Lee, não vou sair por aí afirmando enfáticamente “Rapazes, está é a sua Obra Prima!!!”. Mas posso dizer que honestamente amei esse filme. (Exceto talvez pelas atuações exageradas do elenco italiano...)


No entanto, após ler muitas críticas sobre ele aqui nesse site, acho que a maioria das pessoas realmente não “captou” a coisa. “Milagre em Sta. Ana”, que realmente leva em conta eventos históricos reais, é antes mais nada um trabalho de FICÇÃO.


Os filmes de Spike Lee estão carregados de simbolismo e alegorias. ( simbolismos que em si são muito simples, como os irmãos italianos com a camisa “branca” e a camisa “negra” em “Faça a Coisa Certa”)


Exigir “Precisão Histórica” desse tipo de trabalho é como clamar por um Tarantino sem violência.


Este não é seu FILME BLOCKBUSTER PADRÃO DE 2ª GUERRA MUNDIAL. Este filme é a interpretação de Lee sobre todo o GENÊRO DE FILME DE 2ª GUERRA MUNDIAL.


(Dito isso prefiro “Sant’Anna” ao “Resgate do Soldado Ryan” que pra mim vale só por aquela cena inicial do desembarque de tropas durante o Dia D)



Os filmes de Lee são profundemente “bretcheanos”. Não posso afirmar se Spike Lee foi um aficionado por leituras de Bertolt Bretch, mas quem tiver paciência de pesquisar e ler alguma coisa sobre o roteirista e dramaturgo alemão, vai notar que ele e Lee têm filosofias muito similares sobre arte.


A personagem Axis Sally (para minha surpresa) realmente existiu. Mas aquele discurso ao destacamento de Bufallo Soldiers no inicio do filme, está muito mais direcionado na verdade ao espectador (uma reflexão sobre o papel dos negros americanos na guerra) do que aos personagens.



Aquele nazista “sangue bom” que entrega uma arma e aconselha Wector Negron no melhor estilo Deus Ex Machina, é muito mais um aceno e uma provocação irônica dirigida ao espectador do que mau revisionismo histórico. Como um lembrete que diz: “Hey, isso não é real!”


O massacre de uma população inteira em Sta. Ana foi mais um capítulo verídico da história ensangüentada da raça humana. Mas as ações dos guerrilheiros e dos nazistas no filme são mais uma reflexão sobre o todo das ações destes na guerra do que naquele espaço-tempo específico de Sant’Anna di Stazzema.


Não quero dizer com isso que trabalhos de arte não devem ser coerentes. Se lá na tela subitamente surgisse um exaltado Hitler afrodescente acariciando seus dreadlocks made in Jamaica... OK, já posso imaginar em algum lugar do mundo uma turba furiosa segurando tochas e gritando “Agora chega! ISSO passou DOS LIMITES!!!”. Mas não parece é esse o caso.


A melhor coisa nos filmes de Lee é justamente a ilusão do realismo. O ponto de vista dele sobre a participação dos negros americanos na 2ª guerra mundial em momento algum pretendia ser mais realista do que a participação dos brancos na 2ª guerra mundial dos filmes do John Wayne...


Alguns de vocês depois de tudo que falei continuarão a pensar “Senhor, mas isso é apenas um amontoado de confusos pensamentos esquerdistas!”.


Tudo bem.


Se você não gosta dos filmes de Spike Lee, tudo bem também.


Mas tentem ao menos entender as razões por trás de todo o seu fazer filmes. =) "

quarta-feira, 29 de julho de 2009

E mais uma vez Cinema...



A MALDIÇÃO DA CINEFILIA.

Já disse que não sonho nem nunca sonhei em ser Cineasta, mas a minha paixão pelo cinema me persegue.

Dos dias 15 a 19 de Julho aconteceu em Cambuquira a 5a MOSCA.

Fui mais uma vez arrastado para dias corridos de oficinas de realização audiovisual, maratonas de curta- metragens (ou nem tanto, perdi algumas sessões) , divagações solitárias e resmungos sobre o atendimento no café do evento regadas a irish coffe + petiscos de queijo e noites memoráveis na companhia de bons amigos e amigas em nossos devaneios pós-modernos na madrugada da pequena urbe. Infelizmente não pude ficar para o último dia.

Mais detalhes em vindouros posts.


Do dia 19 ao dia 25 de Julho aconteceu em Belo Horizonte as oficinas do Cine + Cultura de capacitação cineclubista organizada pelo Ministério da Cultura.

Tive a sorte de ser indicado para participar e a a oportunidade de ficar quase uma semana inteira hospedado no Bristol Merit Hotel, em mais e mais maratonas de aulas e filmes, conhecendo pessoas egressas de todos os cantos de Minas e do Centro Oeste, com direito a cama, café, almoço e janta. 0800. Tudo por conta.

(Não me levem a mal fiz bom uso da verba do estado. E toda a coisa me permitiu refletir sobre os prós, os contras, limites e critérios dessas "leis de incentivo".)

Mais detalhes em vindouros posts.

O resultado é que em breve seja possível trazer um Cineclube (Condensando para os leigos: Cinema de exibição de filmes do circuito nacional e/ou alternativo de entrada franca) para a população da nossa querida City of the Doomed.

Mais detalhes em vindouros posts.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Resenha - Lost in Translation (2003)




PERDIDOS EM TOKYO


Lost in Translation” (título brilhante traduzido não sem uma certa ironia para “Encontros & Desencontros”) filme vencedor do Oscar de melhor roteiro original lá no ido ano de 2003 é considerado até o presente momento de publicação nesse blog a Magnum Opus de Sofia Coppola.

O filme trata de temas como solidão, alienação, choque cultural e geracional. Conta a história de dois estadunidenses: Bob Harris, um ator decadente que vai para o Japão gravar um comercial de whisky (dá-lhes Bill Murray!) e Charlotte uma jovem recém formada e negligenciada pelo namorado workaholic (sabe-se lá como ele conseguia ignorar a onírica Scarlet Johanson); e a amizade/ paixão que se estabelece entre essas duas criaturas enquanto eles na condição de patéticos peixe- fora- d’água tentam sobreviver as suas jornadas melancólicas na surreal Tokyo pós-moderna que serve de pano de fundo para a narrativa.

As personagens do filme transcorrem seus dias perdidos em um ambiente cultural diverso, exilados do mundo em um hotel onde transcorre boa parte dos eventos da história e a total ausência de legendas por parte do elenco japonês nos leva a experimentar a mesma sensação de desorientação pela qual passam os personagens. O filme está cheio de cenas memoráveis sobre as quais não vale a pena comentar estragando a surpresa de quem ainda não o viu.





Os filmes de Sofia celebrados por todos pela retratação do universo feminino aprisionado são também uma excelente ponte para se pensar o papel de nós homens, o machismo cansado e o eterno abismo na compreensão da mulher. Copola poderia ser considerada uma modelo de feminista que não recorre a sexismos, evita lugares comuns, não demoniza o sexo oposto e não cai em generalizações grotescas.

Li uma crítica dizendo que apesar da ênfase na temática da comunicação, Sofia errou ao retratar o Japão Moderno de forma caricata, preconceituosa, e mesmo “racista”. Não concordo já que o Japão serve em primeiro lugar de ambientação exótica ao ocidental e de um pretexto narrativo necessário pois o filme jamais impactaria o seu público alvo (nós ocidentais) com o uso de signos conhecidos com os quais estamos acostumados.

Na medida que para o espectador que não é ingênuo o filme assume essa sua visão “de fora” e tenta justamente retratar não o país em si, mas a visão das personagens outsiders o contraste dos americanos deprimidos com o fetichismo ocidental presente na sociedade nipônica que mesmo muitos japoneses reconhecem e criticam.

Apesar dos ares de “comédia romântica” Lost in Translation não agradará os espectadores médios ou casuais. Isso por que o filme tem uma narrativa lenta e com pouca ação, insiste em uma visão quase turística e obsessiva do panorama Japão, e pelo seu final genial, mas cruelmente muito, muito, muito frustrante.

Daqueles finais abertos que se beneficiam de fruição, reflexão e sensibilidade na mesma linha de “Onde Os Fracos não tem Vez” (2007), mas que consegue ser ao mesmos tempo um daqueles emocionantes e inesquecíveis. Lost in Translation pode ser uma experiência mágica se for assistido com uma mente aberta e por uma mente descansada (ou regada a cafeína.)





Além de Encontros & Desencontros a diretora Sofia Coppola é conhecida pelo também excelente “As Virgens Suicidas”(1999) adaptado do romance homônimo e o mais recente Maria Antonieta (2006) que desagradou muitos críticos de plantão por sua estética pop e anacrônica.

Menos decorosamente ela é conhecida por ser a filha de um monstro sagrado como Francis Ford Coppola, tendo participado em seu O Poderoso Chefão: Parte III (1990) numa atuação café-com-leite-mamão-com açúcar como a personagem Mary Corleone, e por relacionamentos pessoais com figuras cultuadas do mundo da arte a exemplo do seu casamento com diretor Spike Jonze, e umas farras aí com o Tarantino.

Pessoalmente devo confessar que embora reconheça o brilhantismo técnico do paizão, os filmes do Francis nunca me agradaram muito. Gosto mesmo apenas do O Poderoso Chefão original , algumas cenas antológicas da Parte 2, e me desculpem por abominar o na minha opinião chatissímo e datadíssimo Apocalipse Now. Não sou um fã ardoroso de Dom Coppola.



Já por sua filha eu me apaixonei.



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Diatribes cinéfilas


+ DIATRIBES DO MUNDO CINÉFILO SUL-MINEIRO.

O curta “FICÇÃO” que eu e meus amigos vínhamos engendrando acabou após um exaustivo dia de gravação sendo cancelado. Entre outras razões para o cancelamento do nosso pet project a falta de agenda dos atores, e um deadline muito “apertado”.

Na verdade 1 mês seria um tempo generoso para um curta-metragem mas a nossa incompetência somada a prima-donnice do elenco acabou deixando tudo só no roteiro. Sou contra essa coisa de apressar as coisas (pelo menos dentro do nosso mundo amattore {não profissional}) só pra poder caber dentro do prazo de entrega.

Se for pra fazer algo corrido, melhor nem fazer.

De consolação (e ironicamente) acompanhamos desde o dia 8 de Maio a quarta feira da semana passada a excelente iniciativa do Cineclube da MOSCA, organizado por Carlos Eduardo Magalhães de Aguiar.

Assisti feliz e gratuitamente filmes excelentes como o humanissímo “Viagem a Darjeeling” de Wes Anderson e o curioso e bisonho documentário brasileiro “O Beijoqueiro: Portrait of a Serial Kisser”. Os curtas-metragens também forma ótima fonte de reflexão e entretenimento, entre eles um dos meus curtas favoritos, o antológico (em versão digital ) “Ilha das Flores” de Jorge Furtado.

Ponto alto ainda pra exibição de uma versão com montagens e áudio atuais de “Testemunha Oculta” de Zé Pintor, um são carlense pioneiro, amador e amante do cinema que realizou na década de 60 fora de qualquer pólo de cinema nacional e película diversos médias envolvendo gêneros variados como o policial, o faroeste, alegorias espíritas e o Egito antigo (WTF?!).

Zé Pintor mostrou que somos todos mesmo um bando de inúteis, anões degenerados perto dos grandes gigantes do passado. Após de tudo fica o gostinho do curta próprio não realizado, mas reforçou minha opinião de que o hobby “fazer cinema” pra quem não quer vestir profissionalmente a camisa de diretor ou produção televisiva é só mais uma dor de cabeça.

O ponto fraco do Cineclube ficou pro datado, indigestíssimo e metido a Cinema Novo, “Tudo Bem” de Arnaldo Jabor.

Um dia talvez me animo de fazer um post só sobre esse filme. Mas não sei se vale a pena. =)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Muito barulho por nada?


O FAZER CINEMA VS. O FAZER LITERATURA.


Bem vindo novamente, (hipotético leitor) ao GRILO FALANTE.


Andei ocupado esse mês com os sempre extenuantes deveres da vida de professor e resolvendo os dilemas que reserva o meu desconhecido futuro acadêmico – profissional.


Mas não foi só isso.


Nos últimos dias embarquei por puro diletantismo na gravação de FICÇÃO, um curta amador para ser exibido no MOSCA 5. O roteiro e o argumento são de minha parte, a adaptação bastante poética do conto “La Cosa de Umberto Eco. A produção, se é que se pode produzir um filme de 20R$ e muitos favores) e parte da direção também.


O trabalho de câmera ficou por conta do Marcelo Telles II e o figurino e material de cena e outras contribuições por conta do resto da nerdada. A edição e a dublagem permanecem uma incógnita até segunda ordem.


Enfrentamos vários problemas na gravação, especialmente com a organização (o já clássico aborrecimento da falta de comprometimento) e o cronograma. Ainda acho que a decisão de usar adultos feitos nos papéis principais foi a mais acertada e dá uma “seriedade” maior ao trabalho (mesmo o filme se tratando de uma comédia), mas sempre compromete as coisas pela falta de agenda já esperada para gravação e ensaios.


No fim, estava pensando outro dia, sempre acaba sendo aquela corrreria e muita dor de cabeça, em troca de algo sem dúvida divertido, mas um tanto efêmero.


TAÍ!


Cinema foi um troço que eu nunca quis mexer. Gostar de cinema, ver cinema, ir ao cinema (ou melhor ira ao DVD e a TV á cabo) e escrever e comentar sobre filmes em geral são coisas que adoro. Parte do meu dia-a-dia. Coisas sem as quais eu não conseguiria viver.


Mas se alguém me perguntar se eu já tive o sonho de ser um grande diretor, ou trabalhar nessa área fora de qualquer coisa que não seja roteiro (ou argumento) eu tô fora.


Arte por arte prefiro escrever.


O Cinema apesar de ter maior visibilidade continua sendo um veículo caro, e uma praia que exige muitos contatos e, sobretudo trabalho de equipe (ou um diretor – ator-produtor lunático e obsessivo com mão de ferro). Compensa o esforço? Compensa. Mas somente para aqueles que querem embarcar no hype do audiovisual e que o consideram seriamente a profissão.


Para aqueles como eu monges venenosos, monstros tímidos, Corcundas de Notre-Damme reclusos em suas torres e kitinetes, escrever é um hobby que acaba sendo algo muito mais individual, solitário e prazeroso.
Ainda por cima tem a vantagem de se ser um meio muito mais barato e um universo produtor de significados muitíssimo mais amplo.


Mas meu desapontamento com o fazer da sétima arte talvez não seja uma coisa tão ruim. Como disse Jorge Furtado esse é um tempo que conhece muito diretores, mas poucos autores.


E numa indústria onde o Cinema fica cada vez mais dependente e parasitário da Literatura (estou começando a sentir remorsos pelo roteiro adaptado) talvez essa última acabe sendo um desperdício de tempo um pouco mais nobre.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Resenha - Filme - Watchmen (2009)


QUEM QUER SER UM SUPER-HERÓI?!

Tive uma quarta feira agitada.

Em fim como disse no post anterior toda a nerdada se aprontou para ir ao cinema assistir a chegada de WATCHMEN ao nosso marginal circuito de filmes sul-mineiro.

Uma grande família unida indo entusiasmada assistir um filme recomendado para maiores de 18 anos, repleto de sexo, violência, rock n’roll, e genitais azuis.

Uma grande comédia de erros.

- Ué, peraí. O filme já começou?

- Não. Ainda não tá na hora. Deve ser o fim da sessão anterior.

- Eu não vou ver o final!

- Nem eu.

Infelizmente NÃO era o final da sessão anterior, e acabamos perdendo o dez minutos inicias nessa confusão. Sendo assim fui obrigado a assistí-lo duas vezes.

Mas valeu a pena. O filme é lindo. =)

Já inicia formidável com o brutal assassinato de um dos personagens e uma seqüência inicial ao som de Bob Dylan.

Somos introduzidos a uma década 80 alternativa onde vigilantes mascarados estilo Batman são bastante reais e foram proibidos pela controversa Lei Keene. Diferente das estórias comuns do gênero esse é um universo visceral habitado por justiceiros sociopatas, mulheres histéricas, tecnocratas viciados em andrenalina e Rambos que descarregam suas metralhadoras em manifestantes e ativistas políticos.

A Guerra Fria perdura junto a re-eleições infinitas do presidente Nixon. Esse é um mundo onde a presença de um único, mas real super-homem, o azulão quântico Dr. Manhatann ajudou os E.U.A a vencer a guerra do Vietnã e a intimidar a URSS, levando o mundo há uma paz tensa mas cuja fragilidade pode se agravar em um conflito nuclear.

A narrativa oscila desde a primeira pessoa a flashbacks pelos quais somos levados ao conflito que move o enredo: Quem está tentando eliminar os vigilantes? E qual o sentido de se ter heróis e combatentes do crime em um mundo que parece estar condenado ao Apocalipse atômico?

Como professor de História sou obrigado a dizer que o diretor Snyder foi sábio em reconhecer que a ambientação e o espírito do tempo sob o qual Watchmen foi escrito é o que alicerça seu enredo, e que uma mudança nesse elemento iria exigir uma re-formulação completa ao invés de uma simples (simples?) adaptação.

Com suas 2 horas e meia de duração (e acredite isso é pouco, a versão do diretor deverá ficar por volta de 3 horas e 10 minutos) Watchmen consegue ser um filme que faz justiça aos fãs, e que vai agradar também a muitos daqueles que não conheceram a obra original, mas que gostam de super-heróis ou ficção cientifica em geral. Não deverá ter tanto apelo, porém junto a outros tipos de público.

Reprodução quase que quadro a quadro da HQ, (usando a obra de Moore & Gibbons como storyboard), Zack Snyder e sua equipe conseguiram cumprir a tarefa hercúlea de adaptar um trabalho que (como disse um amigo meu) só poderia atingir fidelidade em uma mini-série de TV e não em um filme.

Claro que muita coisa se perde, mas são baixas necessárias no negócio multimilionário que é o cinema atual.

Na certa Watchmen e suas cenas de violência não agradará aos velinhos da academia, mas o contraste intencional dessas cenas em montagens com a estupenda trilha sonora retrô faz de certa maneira o filme se encaixar entre outros que usaram os mesmo artifícios, e que são cultuadíssimos.

Se não fosse claro exagerar a importância de uma obra que na versão cinematográfica acabou retendo não muito mais que o entretenimento ( um "Blockbuster" legítimo segundo o Music, Coke and Robots), estéticamente falando o Watchmen de Snyder está para os loucos anos zero do Século XXI para o que Laranja Mecânica de Kubrick foi nos anos 70 e o Clube da Luta de David Fincher foi nos 90.

O final do filme reconheço funciona (e realmente funciona) para as telas muito melhor do que o final da HQ (que ainda prefiro). Em suma Watchmen – O filme, é inferior e devedor da Graphic Novel, talvez pelo seu enredo um pouco datado e o foco no entretenimento puro e simples não se tornará um marco, mas é um bom filme apesar de tudo.

PS: Além disso a sequência de sexo entre o Coruja e a Espectral ao som de "Hallelujah" de Leonard Cohen já o torna por si só um cult instântaneo. ;)


terça-feira, 7 de abril de 2009

Two minutes to midnight...


É AMANHÃ!


Qual não foi o meu espanto ao saber que não só o WATCHMEN (apesar das previsões pessimistas) vai realmente estrear no cineminha da cidade ao lado como também toda a nerdada se amimou de ir ver o filme amanhã, na sessão mais baratinha da quarta feira.

Must mesmo para aqueles que não leram a legendária mini-série em quadrinhos do satânico-escritor-from-hell-underground-britânico-barbudo Alan "Odeio Hollywood" Moore e do desenhista Dave Gibbons, Watchmen gerou muítissimo alarde entre os fãs por se tratar talvez de uma das adaptações mais difíceis a serem feitas na história do cinema.

Moore que teve o espírito de suas obras assassinadas em adaptações medíocres e pipoqueiras pelo cinema como Do Inferno, A Liga dos Cavalheiros Extraordinários e V de Vingança ( e eu concordo com ele) já pediu pra tirar seu nome dos créditos já avisou que se o filme for uma droga, ele se isenta de qualquer culpa. Na verdade creio que o velho louco se isenta do resto da humanidade mesmo.


O título em inglês é oriundo de uma frase em latim do poeta Juvenal, "Quis custodiet ipsos custodes?", ou : Quem vigia os vigilantes?

A premissa é ainda umas das mais interessantes: o que aconteceria se os super-heróis existissem na vida real? Como a frase latina sugere a resposta pode ser um pouco pessimista...

Impossível claro reproduzir o marco que a Graphic Novel ( Watchmen aliás ajudou a difundir esse termo e faturou mesmo alguns prêmios tradicionalmente destinados apenas a romances) foi no universo quadrinhistíco. O Watchmen original tem pelos menos três pontos de fundamental importância, e que são quase um consenso entre os críticos:

- Mostrou junto a outro quadrinhos "O Cavaleiro das Trevas" (o do Frank Miller), que as HQs não eram absolutamente restritas ao público infantil e adolescente e que também podiam ter apelo entre adultos.

- Desconstrói e faz uma revisão irônica daquela imagem do super-herói ainda bastante engessada e estereotipada dos anos 50 e questiona o próprio sentido das histórias de gênero.

- Trouxe experimentos de narrativas interessantíssimos e um universo riquíssimo apresentado de uma maneira inovadora.

A adaptação chega portanto em boa hora. Em um tempo sombrio ( e não me digam que uma década que iniciou com a guerra ao terrorismo e está fechando com crise econômica não pode ser chamada de sombria) onde o público de maneira geral já se acostumou com histórias mais polêmicas, chocantes ou violentas.


Um dos defeitos (se é que se pode chamar isso de defeito) dos quadrinhos originais era que justamente suas trocentas referências apelavam apenas para um tipo de público, o leitor e fã de histórias de super-herói.

Não haveria espaço portanto para Watchmen nos cinemas anos atrás, mas com a decisão das editoras Marvel e DC de levarem seus personagens para os cinemas, agora mesmo o público médio pode de certa maneira saboreá-las. Afinal agora existe algo para se desconstruir.


Acompanhado as peripécias do diretor Zack Snyder na industria do cinema cabe agora torcer, cruzar os dedos,esperarando que o filme retenha pelo menos um resquício de provocação da obra de Moore, conseguindo aprofundar um debate que de certa maneira já foi proposto por um outro filme, "O Cavaleiro das Trevas". ( o do Cristopher Nolan.)


sábado, 4 de abril de 2009

Resenha - Filme - Austrália (2008)

A STORY FROM A LAND DOWN UNDER.

Ontem após um período de grande modorra vespertina enquanto coçava minha barba hirsuta pude finalmente conferir no conforto de meu quarto abafado, o filme “Austrália” (2008) do não coincidentemente australiano Baz Luhrmann.

Devo dizer que logo de cara fico grato que um filme que tenha tal título tenha sido concebido por alguém do próprio país. Sempre achei um tanto hipócritas e equivocados aqueles filmes feitos por gringos que residiram à vida toda no exterior e vêem com suas lentes desvendar os “mistérios” e “contradições” dos países alheios.

Não que esse olhar “de fora” não possa dar certo. Principalmente se ele se reconhece como tal. Um exemplo disso é o excelente Lost in Translation de Sofia Coppola que usa o Japão e seus exotismos como uma maneira de mostrar o deslocamento das personagens estrangeiras em um ambiente cultural diverso.

Isso é bem diferente daquele olhar de deslumbramento puro e simples com “O OUTRO” que alguns críticos andam reconhecendo em Quem quer ser um milionário? ou que os espectadores brasileiros andam vendo em telenovelas como Caminho das Índias (Aliás a índia está na moda não?!)

Tudo bem que Hollywood assassine a realidade. Mas a conseqüência as vezes são filmes pulps escabrosos como Turistas ou As Ruínas e outras abominações que distorcem totalmente a imagem dos países em que ambientam suas histórias.

Por isso se for para "queimar o filme" de um país em escala global, pelo menos que seja um nativo.

Agora vamos lá. Esperar realismo de um filme do Baz é como esperar um filme do Quentin Tarantino feito para crianças.

Sou fã do diretor desde o inovador Moulin Rouge! que (gostem ou não) apesar da estética barata de videoclipe, teve os méritos de ressuscitar o gênero musical no cinema, e hoje vem sendo plagiado em muitos pontos pelo musicais sub-sequentes.

Já acompanhava seu trabalho desde o anterior e bizzaro Romeu + Juliet e portanto já esperava de Austrália o que Baz Luhrmann sabe fazer de melhor: Uma aventura épica, ultra-romântica, recheada de pastiches e refêrencias a cultura pop.

Infelizmente essa marca registrada que é a maior das virtudes de Luhrmann também é um dos seus maiores vícios. Com certeza está por trás das coisas que me fizeram repudiar o filme.

Primeira coisa. Austrália não se decide.

Começa como uma espécie de western onde os mocinhos, a heroína feminista “Mrs. Boss” e o anônimo cowboy “Drover” ( Nicole Kidman e Hug Jackman, ambos profissionais brilhantes, presos em personagens planas.) devem viajar pelo Outback ( o “sertão” australiano) perseguidos pelos lacaios do rancheiro do mal.

Lá pra metade do segundo tempo tudo se transforma em um filme de Segunda Guerra Mundial, e quando cortina finalmente se fecha que podemos reconhecer é uma tentativa forçada de Drama Social.

OK. A premissa é ousada.

Baz tem a idéia de fazer um “épico” grandioso que misture tudo no grande liquidificador da sétima arte. Dos filmes de velho oeste ao “Mágico de Oz”. Um filme que na verdade fala de outros filmes e que se aproveita de outros filmes e que imita outros filmes.

Mas na hora de executar manda malíssimo.

O que era ousado acaba sendo apenas pretensioso.

E cai na hipocrisia.

Especialmente quando um representante da Austrália branca, desenvolvida, rica e feliz, que é o diretor, tenta espremer em um blockbuster os dramas, sofrimentos e tradições de uma outra Austrália: a Austrália segregada dos povos aborígenes.

Nesse ponto me pergunto se não teria sido melhor fazer um filme apenas sobre a tal da “geração roubada” que é retratada apenas superficialmente (crianças mestiças que eram tomadas de suas famílias para receberem a educação moral e civilizátoria dos brancos.)

Segunda coisa. A narrativa.

Hoje em dias os cineastas ou fazem filmes lentos demais ou rápidos de mais.

Luhrmann é super-sônico. Somos apresentados tão rapidamente e em trechos tão escassos de diálogos à as personagens que simplesmente é impossível se importar com elas .

Todas dinâmicas, mas com a profundidade de um pires de chá. O que temos no filme é apenas ação incessante, sem espaço para trabalhar detalhes.

È verdade que a maioria das personagens no filme, como os protagonistas, são apenas idéias , símbolos, alegorias, arquétipos, e que não se pode exigir da proposta do diretor uma aula de psicologia.

Mas o efeito prático disso é que quando os personagens coadjuvantes começam a ser eliminados pelo roteiro em mortes desnecessárias, não nos importamos nem um pouco com isso.

Afinal como vou me importar com uma personagem que apareceu uns parcos e porcos minutos na tela, e que eu mal tive tempo de me entrosar?!

Em suma Austrália
peca por querer mostrar e ser várias coisas ao mesmo tempo, e acabar não mostrando e não sendo nada, nadinha mesmo, no final das contas.

Para os Australianos talvez a banda autóctone Men at Work tenha feito um trabalho mais competente de divulgação do país no exterior do que isso aí.

Dessa empreitada do Baz só posso concluir uma coisa :


You better run, you better take coveeeer…