Deve ser ironia cósmica ou vai ver coincidências realmente existem.
( Se lembra Davide? Como quando você era moleque e pediu em prece para que DEUS matasse os MAMONAS ASSASINAS? Você ainda acreditava nele naquela epóca... Qual Mãe Diná que nada... E quando sua alteza Pedro Luiz , 4o herdeiro na linha de sucessão da Família Real Brasileira MORREU no acidente do avião da Air France no DIA SEGUINTE à aquela sua rápida pesquisa no Google sobre monarquistas no Brasil contemporâneo para os alunos do 3o ano do Ensino Médio?! Se lembra Davide?! Você chutou macumba Davide!)
"Kizzy Ysatis"; o escritor Cristiano Marinho, a quem eu entrevistei a um post a trás, não sofreu um acidente de avião, mas foi agredido de maneira hedionda por um grupo de brutamontes carniceiros que trabalhavam como seguranças na boate "A Loca" na grande São Paulo. Agredido junto a sua amiga a diretora e escritora Liz Vamp que sofreu apenas algumas escoriações (que cá entre nós, embora não escreva a melhor literatura do mundo é uma pusta de uma boa pessoa como atesta aquela super-criativa campanha de doação de sangue...)
Fiquei sabendo de tudo no dia seguinte ao ocorrido mesmo (isso foi 5 de Setembro) através do MSN messenger por um amigo meu que leu a entrevista enquanto conferia o layout novo com cara de DIY do Falagrilo. Ele me disse que acabava de ler que um tal de escritor chamado Cristiano Marinho havia sido espancado junto com a Filha do Zé do Caixão. Ele queria saber se era o mesmo da entrevista. Era.
(ah a ao que aprece a tal Liz "Vamp" Marins é filha de nada menos, nada mais que José Mojica Marins. O Zé do Caixão. Coffin Joe. Mestre do horror tupiniquim! Só tinha VIP no meio dessa galera! Será que esse povo não me chama a próxima vez que for sair?!)
No seu blog Kizzy diz que infelizmente agressões como essas podem ser uma prática comum em muitas boates.
Ao contrário do que afirmou Eric Novello não me surpreende, nem acho que o Kizzy deveria se ofender, com pessoas ou mesmo e fãs que por algum momento tenham se perguntado se ele não fez alguma coisa para motivar a agressão.
Afinal seria RACIONAL se houvesse motivação por trás das ações dos seguranças. Mas nesse caso é lícito pensar que racional não é bem lá o termo pra uma barbárie como essa...
O que foi alegado é que Ysatis teria tentado sair sem pagar, e que uma comanda foi encontrada no chão, e que além de tudo ele estava bêbado. Os seguranças teriam apenas revidado uma agressão que partiu dele.
OK. Vamos lá. Plot holes! O cara tem grana (ou pelo menos tá meior que nóis tudo...), tinha amigos presentes com grana, não ia criar caso por causa de mixaria. E mesmo que tivesse sido alguma gracinha da parte dele (completamente out-of-character, diga-se de passagem), teria ao menos "tentado" acredito solucionar tudo de maneira diplomática. Lógico que tinha álcool passeando no cérebro dele ! Quem sai de uma boate sem tomar umas e outras? Isso não quer dizer nada.
Mas vá lá. Vamos desligar o cérebro por um minuto. Mesmo que Kizzy tivesse "surtado" e tentado pulverizar um dos guardas com uma exibição do seu poderoso kung fu vampírico. Pela lei a LEGÍTIMA DEFESA requer PROPORCIONALIDADE. Você não pode degolar alguém que te agrediu com um tapa e alegar "foi legítima defesa!". Os seguranças da boate não devem ter se danificado muito, ou as reportagens teriam mencionado. Já o nosso amigo escritor tem fraturas no crânio e santa maionese batman.... é... só olhar as fotos....
No fim das contas se houve razões por parte dos calhordas, devem mesmo é ter sido razões financeiras e talvez uma infância triste. Não me comovem.Não sei se existe precedente legal para condená-los por "tentativa de homicídio" como se está tentando, mas espero do fundo dos infernos que consigam, pois seria mais do que merecido.
Espero que Kizzy se recupere e que algum dia a merda do Estado brasileiro não dependa de campanhas na internet ou mobilizações para cumprir o seu papel com agilidade. Se coisas como essas acontecem à alguém que tenha um nome no mínimo relevante que se dirá com nós outros foolish mortals...
No mais quero pedir desculpas se minhas falhas tentativas de humor não foram bem vindas. Sabe como é.
Confesso que a primeira vez que vi a capa do livro “O Clube dos Imortais: A Nova Quimera dos Vampiros” minha reação foi uma mistura paradoxal de admiração e desdém. Admiração pela arte incrível que a ilustrava e desdém pelo nome do autor que parecia algum pseudônimo de guru new age. Quase impronunciável aliás. Kizzy Ysatis. “Yisátes?” Não, “Ísatis” disse meu amigo.
Tendo minhas únicas felizes experiências vampirescas na literatura até então sendo sido Drácula de Bram Stoker e Entrevista com o vampiro de Anne Rice (este último lido em um underground ao som de heavy metal amador) não botei muita fé. O livro havia ganhado um daqueles prêmios sérios de literatura, o Raquel de Queiroz, e o autor fora sujeito de uma memorável entrevista no Jô Soares. Mas meu caráter iconoclasta na época (desconfie de tudo que dizem que é bom!) não me permetiu o terrível esforço de pedí-lo emprestado.
Então anos depois me deparo no Youtube com aquela famigerada entrevista. Apesar do exotismo da personagem do entrevistado com cara de Johnny Depp a la Tim Burton, capaz de pagar um dentista para fazer caninos pontiagudos permanentes com resina, e de se exibir em rede nacional com um sobretudo roxo e cartola, o seu carisma, o seu humor e o forte indício de uma visão criativa despertaram em mim aquele mínimo de interesse que faz a gente correr atrás das coisas. Qualquer coisa.
Não só Cristiano Marinho (o nome na Carteira de Identidade de Ysatis), era considerado um especialista de um subgênero do terror, mas havia conseguido ultrapassar a barreira do preconceito do meio literário e bolar(e então meu RPGista interior ficou mordido) um novo cânone ou “história de origem” para os vampiros que fazia aquela velha história de Caim que Mark Rein Hagen botou no Vampiro: A Máscara de 1991um blábláblá datado e sem criatividade. Os vampiros asraelitas de Kizzy descendiam igualmente de figuras bíblicas, mas de anjos caídos do Livro de Enoch. E tinham explicações saborosas para seus poderes e fraquezas.
Consegui o livro que descobri que na verdade pertencia a um amigo de meu amigo. Li o Clube em um fôlego só. As surpresas dessa história de vampiro (e bruxas, e lobisomens...) que ao mesmo tempo que se passa no Brasil contemporâneo, bebe da história e da literatura do nosso país, sem recorrer a caricaturas de cultura popular e sem clichês mal digeridos me levou aos extremos do entusiasmo.
Tanto que deixei de lado a minha antipatia pelo protagonista( que como toda boa narrativa gótica é ofuscado pelo brilho obscuro do antagonista ) algumas pontas soltas da narrativa, a bissexualidade pós- annericenianados sanguesugasque já se tornou canônica e algumas pontas soltas da narrativa epude constatar que a obra era realmente DO CARALHO.
Tentei saciar minha vontade de um repeteco daquela experiência indo atrás de outras obras do Kizzy: seu segundo romance “Diário da Sibila Rubra”, suas antologias, seus contos, seu blog. Mas no fim ficava mesmo aquela vontade interna, aquela negócio mais ou menos assim, uma vozinha que diz “putz, imagina só se encontro esse cara pra bater um papo de boteco”.
Direto da periferia cultural do mundo para a internet, resolvi abordar o fulano e jogar na lata minha admiração e meus pontos de interrogação. O pretexto chinfrim do qual estava munido era a idéia estapafúrdia de pedir uma entrevista via e-mail para o meu blog merda e mal visitado.
Imagine só se um cara que já havia ido ao Jô ia perder tempo com um zé ninguém professorzinho furreca de cidade pequena que nem eu .NÃO É QUE O MALUCO TOPOU?!
Abordei Kizzy Ysatis por Orkut. Ele me adicionou e respondeu todos meus scraps sem nenhum estrelismo ou síndrome de celebridade. A minha inépcia como entrevistador ficou mais do que clara, aquelas cinco perguntas “geniais” sobre “o processo criativo do artista” (?!) que eu tinha elaborado no final devem ter deixado a impressão de no entrevistado que eu era alguma espécie de ogro bêbado atacando seu trabalho. Era a tar da mardita da ambigüidade.
No mais me restava apenas constatar de que realmente não é preciso de diploma para ser jornalista. Mas que deve ajudar, ajuda.
E é claro. Postar toda a coisa:
EU: Um lugar comum, para começar. Além do sobrenatural e da mitologia quais outras temáticas interessam a você como escritor? Já em aspectos formais de escrita ("estilo") quais os autores e obras que você acredita que tenham influenciado diretamente a escrita de livros como O CLUBE DOS IMORTAIS : A NOVA QUIMERA DOS VAMPIROS e O DIÁRIO DA SIBILA RUBRA?
Kizzy Ysatis: Todas as temáticas me interessam. Acredito que um escritor não deva se prender a um único assunto, do contrário será limitado. Embora eu sempre vá permear o fantástico. Todos os livros que li influenciaram, de um jeito ou de outro, a minha escrita. No entanto, na época em que escrevi o Clube dos Imortais, eu lia muita poesia romântica, Oscar Wilde e livros espíritas (dos bons, odeio Zíbia). Parecem temperos díspares, não? Menos para a imaginação que costura as idéias. Já na feitura de Diário da Sibila Rubra, lia só mulheres: Virginia Woolf, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Clarice Lispector, entre outras. EU: Descreva seu processo criativo. Qual a primeira etapa que você empreende ao iniciar a escrita de um conto ou romance?
Kizzy Ysatis: Você não começa uma obra literária sem uma semente, e essa semente é a idéia, que surge num sonho (na maioria das vezes) ou de um devaneio. Por isso, durmo com um caderno e o celular para usar de lanterna. Deixo ao lado do travesseiro. Jamais saio sem uma caderneta e uma caneta pelos bolsos. O ócio é a alavanca mais poderosa do artista. No vazio, a imaginação emerge.
EU: Uma provocação: O que é mais importante, pesquisa ou imaginação?
Kizzy Ysatis: Não vejo como provocação, acho até uma pergunta pertinente. A verdade é que não é nenhuma nem outra. Ambas são coisas distintas. Da imaginação brotam as flores, a beleza, a criatividade e a autenticidade da tua obra. A pesquisa reforça a narrativa. É um adubo. Ou um forte pilar para sua construção literária. A pesquisa torna teu texto verossímil. A verossimilhança é o tempero que vai manter teu leitor fiel a escrita. Você pode falar de Plutonianos no Havaí, tendo uma coerência verossímil, o leitor passa a acreditar na história. Agora veja bem, não preciso explicar que essa verossimilhança não tem de ter, necessariamente, um pé na realidade, mas, sim, na realidade condizente ao que se afirma na trama. Certo?
EU: Você já afirmou uma vez trabalhar em mais de um Romance ao mesmo tempo. Ainda adota essa metodologia? Quais os prós e contras dessa abordagem?
Kizzy Ysatis: Em cada romance, eu provo uma idéia nova. Um jeito de criar diferente, a fim de ver para quais veredas posso ser carregado. Às vezes, escrevo mais de um romance ao mesmo tempo, mas é fácil. É o mesmo que fazer dois pratos, como sua mãe faz no Natal. Enquanto assa o peru, ela prepara um doce, unta uma forma, e por aí vai... Particularmente, vivo uma desordem. A escritora Flávia Muniz diz que sou um caos. Eu escrevo o livro que me chama. Obedeço só ao meu desejo, ao prazer de escrever. Sem tesão, não rola.
EU: Como um escritor que já participou de projetos de escrita coletiva (A TRÍADE) e de antologias de contos (BRAINSTORM, O LIVRO NEGRO DOS VAMPIROS, TERRITÓRIO V: VAMPIROS EM GUERRA) qual é a sua opinião a respeito desse tipo de trabalho? Obras por editoras que já foram rotuladas por muitos de "Vanity Press" (onde grande parte das tiragens dos livros são pagas pelos autores) realmente contribuem para divulgar escritores iniciantes ou acabam na maioria dos casos apenas engessando suas imagens em estereótipos e rótulos como o de "autores menores" ?
Kizzy Ysatis: Quem aplica tais rótulos, e estereótipos, ou são os invejosos ou os covardes, ambos oriundos da mais pura vileza, trajados nos andrajos da baixeza. Vamos separar bem as coisas. Território V nada tem a ver com pagar qualquer coisa. Foi um concurso válido em todo o território nacional para eleger apenas 9 que entraram na seleta por mérito, e não tiveram, nem precisarão, pagar absolutamente nada. Pelo contrário, foram pagos e ainda tiveram o luxo de estrearem ao lado de 10 escritores conhecidos e que já estão no mercado. Queria eu ter começado assim, queria eu ter tal prêmio!
No caso do Brainstorm foi uma cooperativa. Foi minha estréia e não me vi como autor menor. Não há rótulo que consiga subverter o artista quando este é audaz. Este livro me abriu as portas para uma editora maior, a Novo Século. E agora estou aí, pelas vitrines de todo o país. Por fim, em O livro negro dos vampiros, ajudei o escritor Cláudio Brites a selecionar 50 autores entre mais de trezentos lidos. Não foi qualquer um que entrou, houve critérios.
EU: Qual a sua opinião a respeito da nova onda de literatura infanto- juvenil estrangeira? (Harry Potter, Crepúsculo.) Se por um lado esses livros estimulam a leitura, contribuem para criar ainda um abismo entre cultura pop e uma literatura "séria" que contemple questões estéticas ou temáticas provocantes e mais maduras?
Kizzy Ysatis: Depende do que você enxerga como literatura séria, há um preconceito nessa pergunta. Porque tem gente que tem preconceito com o que faço, como se não fosse sério escrever sobre vampiros. Vá se catar os críticos e acadêmicos frustrados, vão se catar os invejosos, que se mordam os incapazes. Hans Andersen tocou no que tinha de mais profundo da alma humana usando apenas um patinho feio, desajeitado e rejeitado pelos irmãos, pelos iguais, criticado e injustiçado por ser diferente. Ah, mas que lindo cisne se provou ao crescer. Se eu conseguir fazer o mesmo com meus vampiros, morro feliz. E que livro pode ser mais sério que O pequeno príncipe? Ora, meu amigo, não é a temática que faz o livro bom, é o autor. Por isso acho que Harry Potter não tem nada a ver com o lixo que é Crepúsculo. J.K. Rowling sabe escrever. Por favor, não a compare com aquela “malhação” com pseudo-vampiros-emos-purpurinados.
EU: Ainda mais uma vez e em todo caso, grato pela atenção dispensada.
Kizzy Ysatis: Eu que agradeço. ;-)
EU: Na verdade a entrevista acabou por aí. Mas pseudo- vampiros-emos- purpurinados foi fóda. Fóda.
LEIA TUDO, POR FAVOR.
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Vamos deixar bem claro aos cristãos menos esclarecidos e mal informados que
a crucificação da transsexual não foi pra ofender a religião, o ato foi um
pe...
22 de agosto de 2009.
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Voltei a postar no blog. Provavelmente muitos dos filmes que tenho visto
utimamente serão perdidos. Não anotei nada nesses tempos.
Queria comentar por aqui ...
"A função intelectual se dá portanto através da inovação mas também pela crítica do saber ou das práticas precedentes, e sobretudo através da crítica do próprio discurso." ECO, Umberto. 2006