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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Resenha - Filme - Watchmen (2009)


QUEM QUER SER UM SUPER-HERÓI?!

Tive uma quarta feira agitada.

Em fim como disse no post anterior toda a nerdada se aprontou para ir ao cinema assistir a chegada de WATCHMEN ao nosso marginal circuito de filmes sul-mineiro.

Uma grande família unida indo entusiasmada assistir um filme recomendado para maiores de 18 anos, repleto de sexo, violência, rock n’roll, e genitais azuis.

Uma grande comédia de erros.

- Ué, peraí. O filme já começou?

- Não. Ainda não tá na hora. Deve ser o fim da sessão anterior.

- Eu não vou ver o final!

- Nem eu.

Infelizmente NÃO era o final da sessão anterior, e acabamos perdendo o dez minutos inicias nessa confusão. Sendo assim fui obrigado a assistí-lo duas vezes.

Mas valeu a pena. O filme é lindo. =)

Já inicia formidável com o brutal assassinato de um dos personagens e uma seqüência inicial ao som de Bob Dylan.

Somos introduzidos a uma década 80 alternativa onde vigilantes mascarados estilo Batman são bastante reais e foram proibidos pela controversa Lei Keene. Diferente das estórias comuns do gênero esse é um universo visceral habitado por justiceiros sociopatas, mulheres histéricas, tecnocratas viciados em andrenalina e Rambos que descarregam suas metralhadoras em manifestantes e ativistas políticos.

A Guerra Fria perdura junto a re-eleições infinitas do presidente Nixon. Esse é um mundo onde a presença de um único, mas real super-homem, o azulão quântico Dr. Manhatann ajudou os E.U.A a vencer a guerra do Vietnã e a intimidar a URSS, levando o mundo há uma paz tensa mas cuja fragilidade pode se agravar em um conflito nuclear.

A narrativa oscila desde a primeira pessoa a flashbacks pelos quais somos levados ao conflito que move o enredo: Quem está tentando eliminar os vigilantes? E qual o sentido de se ter heróis e combatentes do crime em um mundo que parece estar condenado ao Apocalipse atômico?

Como professor de História sou obrigado a dizer que o diretor Snyder foi sábio em reconhecer que a ambientação e o espírito do tempo sob o qual Watchmen foi escrito é o que alicerça seu enredo, e que uma mudança nesse elemento iria exigir uma re-formulação completa ao invés de uma simples (simples?) adaptação.

Com suas 2 horas e meia de duração (e acredite isso é pouco, a versão do diretor deverá ficar por volta de 3 horas e 10 minutos) Watchmen consegue ser um filme que faz justiça aos fãs, e que vai agradar também a muitos daqueles que não conheceram a obra original, mas que gostam de super-heróis ou ficção cientifica em geral. Não deverá ter tanto apelo, porém junto a outros tipos de público.

Reprodução quase que quadro a quadro da HQ, (usando a obra de Moore & Gibbons como storyboard), Zack Snyder e sua equipe conseguiram cumprir a tarefa hercúlea de adaptar um trabalho que (como disse um amigo meu) só poderia atingir fidelidade em uma mini-série de TV e não em um filme.

Claro que muita coisa se perde, mas são baixas necessárias no negócio multimilionário que é o cinema atual.

Na certa Watchmen e suas cenas de violência não agradará aos velinhos da academia, mas o contraste intencional dessas cenas em montagens com a estupenda trilha sonora retrô faz de certa maneira o filme se encaixar entre outros que usaram os mesmo artifícios, e que são cultuadíssimos.

Se não fosse claro exagerar a importância de uma obra que na versão cinematográfica acabou retendo não muito mais que o entretenimento ( um "Blockbuster" legítimo segundo o Music, Coke and Robots), estéticamente falando o Watchmen de Snyder está para os loucos anos zero do Século XXI para o que Laranja Mecânica de Kubrick foi nos anos 70 e o Clube da Luta de David Fincher foi nos 90.

O final do filme reconheço funciona (e realmente funciona) para as telas muito melhor do que o final da HQ (que ainda prefiro). Em suma Watchmen – O filme, é inferior e devedor da Graphic Novel, talvez pelo seu enredo um pouco datado e o foco no entretenimento puro e simples não se tornará um marco, mas é um bom filme apesar de tudo.

PS: Além disso a sequência de sexo entre o Coruja e a Espectral ao som de "Hallelujah" de Leonard Cohen já o torna por si só um cult instântaneo. ;)


terça-feira, 7 de abril de 2009

Two minutes to midnight...


É AMANHÃ!


Qual não foi o meu espanto ao saber que não só o WATCHMEN (apesar das previsões pessimistas) vai realmente estrear no cineminha da cidade ao lado como também toda a nerdada se amimou de ir ver o filme amanhã, na sessão mais baratinha da quarta feira.

Must mesmo para aqueles que não leram a legendária mini-série em quadrinhos do satânico-escritor-from-hell-underground-britânico-barbudo Alan "Odeio Hollywood" Moore e do desenhista Dave Gibbons, Watchmen gerou muítissimo alarde entre os fãs por se tratar talvez de uma das adaptações mais difíceis a serem feitas na história do cinema.

Moore que teve o espírito de suas obras assassinadas em adaptações medíocres e pipoqueiras pelo cinema como Do Inferno, A Liga dos Cavalheiros Extraordinários e V de Vingança ( e eu concordo com ele) já pediu pra tirar seu nome dos créditos já avisou que se o filme for uma droga, ele se isenta de qualquer culpa. Na verdade creio que o velho louco se isenta do resto da humanidade mesmo.


O título em inglês é oriundo de uma frase em latim do poeta Juvenal, "Quis custodiet ipsos custodes?", ou : Quem vigia os vigilantes?

A premissa é ainda umas das mais interessantes: o que aconteceria se os super-heróis existissem na vida real? Como a frase latina sugere a resposta pode ser um pouco pessimista...

Impossível claro reproduzir o marco que a Graphic Novel ( Watchmen aliás ajudou a difundir esse termo e faturou mesmo alguns prêmios tradicionalmente destinados apenas a romances) foi no universo quadrinhistíco. O Watchmen original tem pelos menos três pontos de fundamental importância, e que são quase um consenso entre os críticos:

- Mostrou junto a outro quadrinhos "O Cavaleiro das Trevas" (o do Frank Miller), que as HQs não eram absolutamente restritas ao público infantil e adolescente e que também podiam ter apelo entre adultos.

- Desconstrói e faz uma revisão irônica daquela imagem do super-herói ainda bastante engessada e estereotipada dos anos 50 e questiona o próprio sentido das histórias de gênero.

- Trouxe experimentos de narrativas interessantíssimos e um universo riquíssimo apresentado de uma maneira inovadora.

A adaptação chega portanto em boa hora. Em um tempo sombrio ( e não me digam que uma década que iniciou com a guerra ao terrorismo e está fechando com crise econômica não pode ser chamada de sombria) onde o público de maneira geral já se acostumou com histórias mais polêmicas, chocantes ou violentas.


Um dos defeitos (se é que se pode chamar isso de defeito) dos quadrinhos originais era que justamente suas trocentas referências apelavam apenas para um tipo de público, o leitor e fã de histórias de super-herói.

Não haveria espaço portanto para Watchmen nos cinemas anos atrás, mas com a decisão das editoras Marvel e DC de levarem seus personagens para os cinemas, agora mesmo o público médio pode de certa maneira saboreá-las. Afinal agora existe algo para se desconstruir.


Acompanhado as peripécias do diretor Zack Snyder na industria do cinema cabe agora torcer, cruzar os dedos,esperarando que o filme retenha pelo menos um resquício de provocação da obra de Moore, conseguindo aprofundar um debate que de certa maneira já foi proposto por um outro filme, "O Cavaleiro das Trevas". ( o do Cristopher Nolan.)